de nada adianta
pretender ser o porta-voz
da classe trabalhadora,
se dessa você pouco entende.
não há tempo para
“faz de conta”,
irresponsável é a postura que
finge ouvir
como pretexto para falar.
nossa classe produziu
tudo.
não só prédios,
também elaborou estudos físicos,
poesias e
o materialismo dialético.
nada mais soberbo
que a voz ao fundo vociferando
– precisamos falar de um jeito que entendam!
não somos filhotes de aves esperando
que nossas mães mastiguem nossa alimentação.
vossa voz
– que se propõe sempre como última –
não seria nada sem a nossa classe.
vosso paternalismo
não é senão chacota pra gente.
não temos muitas diferenças:
talvez um diploma, tempo
e objetivo.
nosso objetivo é claro
e não permite titubeações.
estudamos porque somos o
sujeito coletivo da história.
lemos pela necessidade de
não falhar com os nossos.
mais que isso:
estamos no dia a dia da nossa classe,
aprendendo com ela e
convertendo em teoria.
a vaidade dos títulos
ou de uma página de destaque
na história
deixamos para aqueles
que não querem sujar as roupas.
("o tudo que se tem não representa nada", por Renan Lira*)
Renan Lira é estudante de Direito, poeta nas horas vagas e milita no Coletivo LGBT Comunista e no PCB. Contato - Instagram: @renan.jpg.

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